| Síntese |
A evolução das metodologias analíticas permitiu a detecção de fármacos e os seus metabolitos no meio ambiente, tornando a comunidade científica mais preocupada com os efeitos nos organismos aquáticos e na saúde humana. A principal fonte de entrada dos fármacos (e seus metabolitos) no meio ambiente é através da sua excreção. Há evidências de que as ETARs convencionais não removem eficientemente a maioria desses compostos, portanto, é necessário um tratamento terciário efetivo e sustentável. O processo eletroquímico tridimensional (3D) é eficiente na remoção de substâncias resistentes a tratamentos biológicos. Este difere do processo bidimensional devido à introdução de um terceiro elétrodo particulado, no qual as partículas atuam como microelétrodos individuais, aumentando a eficiência devido à contribuição simultânea de diferentes fenómenos, adsorção/eletrossorção, eletrocoagulação, oxidação e degradação catalítica. Em alternativa ao carvão ativado, usado frequentemente como elétrodo particulado, as argilas apresentam baixo custo, elevada área superficial específica, excelente estabilidade e interessantes propriedades físicas e químicas. Devido à complexidade do processo 3D, há a necessidade de o estudar em profundidade antes de sua aplicação à escala industrial, uma vez que é ainda um processo pouco aplicado. Considerações sobre sustentabilidade, abordando as questões económicas, sociais e ambientais, serão usadas para ajudar na seleção dos materiais e do processo. Será efetuada uma avaliação do ciclo de vida para determinação dos impactos ambientais e uma análise económica para avaliar os custos envolvidos e a viabilidade económica da implementação da solução eletroquímica 3D. O projeto Oxi-e3D permitirá desenvolver uma solução eficiente, rentável e sustentável a usar na remoção de produtos farmacêuticos de águas residuais, contribuindo também para um melhor conhecimento teórico e prático do processo eletroquímico 3D, como solução de tratamento de águas residuais. |